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Objetos? Ambientes? Como imaterialidade e comportamentos mudam a lógica das estruturas, pequenas ou grandes

A criação de objetos e estruturas arquitetônicas dinâmicas é uma prática que ganha densidade com as experiências das vanguardas do início do século XX, conforme descrito, entre outros, por Chris Salter em Entagled. O prório Salter identifica um antecedente relevante alguns anos antes. Trata-se de Richard Wagner que, em “Das Kunstwerk der Zukunfkt”, “explorou a experiência perceptiva do espectador em relacionamento com o evento dramático, o olho percebido não apenas como a configuração visual mas também a vida interior do performer, conforme a ação dramática levou necessidade de aproximar todas as artes em uma síntese total de elementos: cenografia, imagem, música e texto” (p. 2).

Wagner chegou a alterar, sem permissão do arquiteto, o projeto da Festspielhaus de Bayreuth: ele pretendia implementar sua visão de um “teatro da ilusão”, em que além da preocupação com a qualidade acústica da sala, o fosso de orquestra ficava desnivelado. Posicionados fora do campo de visão do público, os músicos ausentes contribueêm para um efeito imersivo diante de um espaço cênico que podia ser visto sem distrações. Além disso, o teatro implementou o primeiro sistema de controle dimerizado de luzes, o que permitia controlar a luminosidade do ambiente para obter diferentes efeitos dramáticos.

00_festSpielHaus

“Ao modelar o espaço de forma artificial e através da construção de percepções aurais e visuais controladas arquitetônicamente, o advento de Bayreuth marcou a primeira vez na aurora do modernismo em que a ontologia da performance foi transformada, não apenas por causa de seu conteúdo dramático mas também pelas suas configurações tecnoarquitetôicas (Salter, p. 4)

A luz como elemento de construção do ambiente (e posteriormente como arquitetura imaterial)
O controle da luz constitui a primeira vertente explorada com maior ênfase nas tentativas de construir espaços que mudam de estado com a passagem do tempo. O cenógrafo Adolphe Appia citado por Salter por seu interesse em criar espaços responsivos através do controle da luz: sua
is é para um espaço vivo, responsivo, construído pela materialidade da figura humana e a imaterialidade de luz e sombra não ficou apenas na teoria mas, pelo contrário, ganhou vida física através quando o artista conheceu o compositor Suiço e professor de educação musical mile Jacques-Dalcroze Dalcroze desenvolveu a técnica conhecida por eurythmics, que chamou a atenção de Appia por colocar o corpo como organizador de um novo tipo de espaço rítmico, esculpido pelo movimento e modelado por tecnologias de iluminação.

Abaixo: Adolphe Appia, Espaces Rythmics, 1909
Appia was an architect and a scenographer who reshaped perceptions of the relationship between the performance space and lighting. Rather than providing representational background for action he expresses the inner qualities of the play. Greatly influenced by Wagner’s work, he intended to create a visual equivalent of the music (Ivana Bobic)

00_Appia

“Trabalhando com o princípio do espaço projetar luz ao invés de usá-la diretamente para iluminar os corpos dos performers, a equipe [de Appia e Salzmann] instalou cortes de linho massivos, da cor do óleo de cedro, nas paredes e teto, através dos quais estavam pendurados milhares de instrumentos cuja luz era difusa através dos tecidos quase transparentes. Controlada de um console central que funcionava como um órgão de luz, a iluminação se tornou responsiva e ativa, uma transformadora do espaço (Salter, p. 7).

O período é fertil em experiências que buscam exploram as possibilidades de movimento da luz, como é o caso do Clavilux e experiências como Lichtspiel, schwarz-weiß-grau, de László Moholy-Nagy:

was originally supposed to consist of six parts, but only the last part was filmed. The first five parts were supposed to show different forms of light in set combinations: from the self-lighting match, automobile headlights, reflections, moonlight, and colored projections with prisms and mirrors to the production of the ‹light prop.› The filmed part [...] consists of documentary photographs of a rotation light prop; and the large shots of the numerous discs, screens, mirrors, and ball-shaped structures join forces with the fades to produce an abstract play of light and shadow.” (source: Hans Scheugl, Ernst Schmidt jr., Eine Subgeschichte des Films, Frankfurt/M., 1974, p. 611f, in: Goethe-Institut (ed.), The German Avant-Garde Film of the 1920’s, exhib. cat., München, 1989, p. 54.)

http://www.medienkunstnetz.de/works/lichtspiel/video/1/

Mais em: http://contradiccoes.net/post/palco/

The visible world and the world of sight, as is well known, is the world of light. Art as the field of the visible – as painting shows – has always been bound to the universe of light. Albert Einstein solved the mystery of light’s essence in 1905 through wave-particle duality. Light is both an electromagnetic wave and a current of particles. It is a form of energy that in a vacuum would travel at a speed of 299,792,458 meters per second. When light hits a prismatic structure it divides into different wavelengths that are visible as colors. Its brightness is measured in lux and lumen describes the stream of light, or the amount of light that is emitted from a source of light.

http://hosting.zkm.de/lightart/stories/storyReader$9

Esta vertente de trabalho com as relações entre luz e espaço passa por um processo de "ampliação" da área afetada. Exemplos mais recentes mostram como interferências em ambientes controlados (como acontece na obra de Dan Flavin) passam a ser menos comuns do que o uso da luz no espaço público, como nas obras interativas de Rafael Lozano-Hemmer. Dan Flavin http://flavin.pulitzerarts.org/#/installations/1/ Jean-Michel Jarre http://www.youtube.com/watch?v=BznDy7bxl9M James Turrell http://www.guggenheim.org/new-york/exhibitions/upcoming/james-turrell Articulated Intersect Rafael Lozano-Hemmer http://www.lozano-hemmer.com/articulated_intersect.php Pulse Spiral Rafael Lozano-Hemmer http://www.lozano-hemmer.com/pulse_spiral.php Laser Forest http://www.youtube.com/watch?v=nqhdqzWynl8&list=PL6uqON-thyrZ3K4wF4EV56oCz4AQjgAr2&index=1 Immaterials: light painting WiFi http://www.nearfield.org/2011/02/wifi-light-painting Vanishing Point United Visual Artists https://vimeo.com/74308529 + post sobre Antonhy Mc Call http://contradiccoes.net/post/antonhy-mc-call/

Esta vertente de trabalho com as relações entre luz e espaço passa por um processo de “ampliação” da área afetada. Exemplos mais recentes mostram como interferências em ambientes controlados (como acontece na obra de Dan Flavin) passam a ser menos comuns do que o uso da luz no espaço público, como nas obras interativas de Rafael Lozano-Hemmer.

 

Dan Flavin
http://flavin.pulitzerarts.org/#/installations/1/

Jean-Michel Jarre
http://www.youtube.com/watch?v=BznDy7bxl9M

James Turrell
http://www.guggenheim.org/new-york/exhibitions/upcoming/james-turrell

Articulated Intersect
Rafael Lozano-Hemmer
http://www.lozano-hemmer.com/articulated_intersect.php

Pulse Spiral
Rafael Lozano-Hemmer
http://www.lozano-hemmer.com/pulse_spiral.php

Laser Forest
http://www.youtube.com/watch?v=nqhdqzWynl8&list=PL6uqON-thyrZ3K4wF4EV56oCz4AQjgAr2&index=1

Immaterials: light painting WiFi

http://www.nearfield.org/2011/02/wifi-light-painting

Vanishing Point United Visual Artists https://vimeo.com/74308529

+ post sobre Antonhy Mc Call
http://contradiccoes.net/post/antonhy-mc-call/

Nuit Blanche
Anti VJ
https://vimeo.com/2141464

Hubble Sees a Glowing Jet from a Young Star
http://www.sciencedaily.com/releases/2013/02/130224082136.htm

“Expansion”, sculpture by Paige Bradley
http://paigebradley.com/sculpture/expansion.html

Astronauta tira fotos impressionantes
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/05/astronauta-marca-cinco-meses-no-espaco-com-impressionantes-fotos-da-terra.html

Mad Light – Mapping Festival
https://vimeo.com/65945784

continua: http://contradiccoes.net/post/objetos_dinamicos_2/

Dialogos Estéticos II: visualização de dados

vis
O Paço das Artes realiza no dia 29 de maio de 2014 (quinta-feira), às 19h30, o segundo encontro da série Diálogos Estéticos. O evento é gratuito. Os artistas e pesquisadores da área de Tecnologia na Arte Marcus Bastos e Rosangella Leote discorrem sobre o tema “Arte, Ciência e Tecnologia” sob diversas óticas.Vou apresentar possibilidade de visualização de dados na arte, na ciência e na comunicação, com um retorno ao surgimento do conceito no âmbito das pesquisas de Richard Wurman sobre arquitetura da informação (termo que ele define de forma particular, para tratar de experiências de organização de grandes volumes de dados de forma a torná-los compreensíveis, e não no sentido mais comum e restrito usado na área de TI). Entre os exemplos estarão as visualizações feitas por Malinowski de composições de música erudita de diferentes períodos históricos, o aplicativo criado por Bjork para Biophilia, os mapas feitos pelo Arquitetura da Gentrificação para mostrar a variação de preços de aluguel em São Paulo, o site They Rule.net, a série Process de Casey Reas, e a plataforma Urban Observatory de Richard Wurman. Também serão apresentando resultados em processo da plataforma para mapeamento da Zona Leste em desenvolvimento no projeto ZL Vórtice, coordenado por Nelson Brissac, Jorge Bassani e Pedro Sales (imagens abaixo).

Mais informações é http://www.pacodasartes.org.br/eventos-e-acoes-de-formacao/dialogos_esteticos_ii_2014.aspx.

— com Priscila Arantes e Rosangella Leote.